Nota de Repúdio


A Federação das Associações Muçulmanas do Brasil – FAMBRAS manifesta profundo repúdio ao ataque ocorrido no dia 12 de fevereiro, em Foz do Iguaçu (PR), no qual mulheres muçulmanas foram vítimas de violência motivada por intolerância religiosa e de gênero.


O episódio não atinge apenas as vítimas diretamente envolvidas. Ele fere princípios fundamentais da Constituição Federal brasileira e agride valores essenciais da convivência democrática. O artigo 5º, inciso VI, da Constituição é claro ao afirmar que “é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos”. Nenhuma pessoa pode ser constrangida, ofendida ou violentada por professar sua fé ou por expressá-la por meio de seus símbolos religiosos.


Mulheres muçulmanas que utilizam o hijab exercem um direito legítimo garantido pela legislação brasileira. Quando esse direito é atacado, não se trata apenas de uma agressão individual, mas de uma manifestação de islamofobia que precisa ser enfrentada com firmeza pela sociedade e pelas autoridades competentes.


É importante destacar que o Islam é uma religião que prega a paz, o respeito e o diálogo. Associar seus seguidores a estigmas, preconceitos ou violência revela desconhecimento e alimenta discursos que fragmentam o tecido social brasileiro, historicamente marcado pela diversidade cultural e religiosa.


O Brasil é um Estado laico de Direito, construído sobre a pluralidade e o respeito às diferenças. Atos de intolerância religiosa e violência de gênero não podem ser naturalizados nem relativizados. Pelo contrário, devem ser investigados com rigor, para que os responsáveis sejam identificados e responsabilizados nos termos da lei.


A FAMBRAS reafirma seu compromisso com a defesa da liberdade religiosa para todos e condena qualquer forma de discriminação ou violência, independentemente da crença atingida. Entendemos que as religiões, quando pautadas por seus verdadeiros princípios, são instrumentos de promoção da paz, da solidariedade e da justiça.


E mais que repudiar, a Federação acompanhará este caso de perto em todas as esferas, empregando os esforços necessários para que atos assim jamais se repitam. É preciso dar um basta, em defesa do respeito, da dignidade humana e da convivência harmoniosa entre diferentes credos.



Ali Hussein El Zoghbi

Presidente da Federação das Associações Muçulmanas do Brasil – FAMBRAS

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